No começo, ele. Sem tempo ou corrosão. Tudo e apenas ele. Sem verbo. Sem danação. Somente coisas sem palavras. Nem ordens, nem nomes. Tudo desapropriadamente livre, solto. Apenas ele, colocado fora do caos. Punição? Tudo ordenadamente lindo e belo. Até que um silêncio, um sono profundo. Armadilha? Sob o arco da respiração, a fratura. Então, ela. Dois. Nada mais. Tudo e apenas eles, apropriadamente livres. Quase silêncio. Nenhuma treva ou maldição. O tempo inteiramente tempo, completo, absoluto. Ou nenhum. Os corpos insensíveis às nódoas. Sem verbo, sem corrosão. Apenas ele e ela. Eternidade? Paraíso? O sumo de um fruto espremido, consumido. Então, o verbo. O primeiro de muitos e muitos. Proibido? O verbo, a carne, o sangue. Averbado o princípio da invenção. Deus?
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Non sense, sua vida parecia filme.
Non sense, sua vida parecia filme. Por mais que tentasse ignorar, o estranho sempre lhe ocorria. Inevitável. Apenas um convite para ser feito ali, no trânsito comum de algumas ruas. A conversa deveria ser rápida. Deveria, mas o amigo atravessou uma esquina pelo meio do assunto. Empacou.
– É com ésse.
– Hã?
– Casa.
– Isso, lá em caza.
– Tá errado.
– Oi?
– Você disse caza.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
kinematófago & fagia
Quando a primeira palavra foi dita, o ouvido do mundo já estava pronto. Nasceram os olhos quando o tempo já tinha mãos e moldava a imagem na imagem. A palavra cantando os seus caminhos quando os homens deixaram de olhar para dentro e puseram seus olhos no rosto do mundo. (Espelho de assujeitamentos).
sábado, 5 de junho de 2010
suicida homeopático
topar o dedo mínimo do pé em cantos de parede e pés de mesa;
ler livros velhos que atacam a rinite alérgica;
apoiar sempre o mesmo braço no sofá áspero, para ler os mesmos livros que atacam a rinite, e deixar ainda mais morta a carne do cotovelo;
morder a língua;
comer as unhas;
prender o dedo em portas e gavetas;
prender os dedos um nos outros com superbonder;
ingerir gorduras e outras porcarias e depois sentar-se todo curvado para escrever;
escrever listas;
não ouvir música;
pensar demais (justamente porque não ouve música);
preocupar-se com os outros;
abaixar-se para pegar qualquer coisa e em seguida dar com a cabeça em quinas e prateleiras de armário;
utilizar internet de conexão lenta;
ler livros velhos que atacam a rinite alérgica;
apoiar sempre o mesmo braço no sofá áspero, para ler os mesmos livros que atacam a rinite, e deixar ainda mais morta a carne do cotovelo;
morder a língua;
comer as unhas;
prender o dedo em portas e gavetas;
prender os dedos um nos outros com superbonder;
ingerir gorduras e outras porcarias e depois sentar-se todo curvado para escrever;
escrever listas;
não ouvir música;
pensar demais (justamente porque não ouve música);
preocupar-se com os outros;
abaixar-se para pegar qualquer coisa e em seguida dar com a cabeça em quinas e prateleiras de armário;
utilizar internet de conexão lenta;
quarta-feira, 14 de abril de 2010
provérbio incauto
As folhas caem, mas a árvore continua de pé. É preciso lembrar de abastecer a moto-serra.
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