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segunda-feira, 18 de julho de 2011

Araruama


trazer o céu a bordo dágua
ter os dias espelhados de infinitos

lugares há que sejam belos
mas não existem mais bonitos

domingo, 3 de julho de 2011

praia seca


revela-me o sol o alvo de tuas águas
e o vento inventa quixotescas plagas
onde se espraiam sonhos de gigante
acalentados em olhos de menino


terça-feira, 21 de junho de 2011

ofício

dizer é exercício
do meu silêncio

pernas que se dobram
o impulso do salto

recolhido, quanto mais calado
maior o meu voo

sexta-feira, 17 de junho de 2011

ensinamento

não coloque pedras sobre o ninho
é preciso terreno, apontar horizonte
sabendo, a mão que lança, ser raiz

alinhar o timbre, ensinar o canto
é uma plantação de dúvidas semeadas,
mesmo seja, por pontos finais

floração sempre traz surpresas, exclames,
interrogações, reticências - dois pontos:
homem e arte não vêm sozinhos, jamais

ou a frase acaba

quinta-feira, 16 de junho de 2011

caminhos

ondas plantam bramidos
que a areia floresce

curtido no sal, cada grão
sabe a lágrima de seu sorriso

conchas guardam no corpo
o ensinamento dos ventos

o que é do espírito
não cala nem omite
a voz encontra, desbrava
caminhos até os ouvidos

toda palavra é um espaço
habitado de nódoa e esperança
qualquer futuro traz seu tempo
enraizado de lembranças