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terça-feira, 21 de junho de 2011

ofício

dizer é exercício
do meu silêncio

pernas que se dobram
o impulso do salto

recolhido, quanto mais calado
maior o meu voo

sexta-feira, 17 de junho de 2011

ensinamento

não coloque pedras sobre o ninho
é preciso terreno, apontar horizonte
sabendo, a mão que lança, ser raiz

alinhar o timbre, ensinar o canto
é uma plantação de dúvidas semeadas,
mesmo seja, por pontos finais

floração sempre traz surpresas, exclames,
interrogações, reticências - dois pontos:
homem e arte não vêm sozinhos, jamais

ou a frase acaba

quinta-feira, 16 de junho de 2011

caminhos

ondas plantam bramidos
que a areia floresce

curtido no sal, cada grão
sabe a lágrima de seu sorriso

conchas guardam no corpo
o ensinamento dos ventos

o que é do espírito
não cala nem omite
a voz encontra, desbrava
caminhos até os ouvidos

toda palavra é um espaço
habitado de nódoa e esperança
qualquer futuro traz seu tempo
enraizado de lembranças

domingo, 12 de junho de 2011

"Quem não tem tempo para escrever um livro não deve lê-lo"

Campos de Carvalho, A vaca de nariz sutil.

sábado, 11 de junho de 2011

infinito

paraíso à sombra não se guarda
não se aguarda frutos ao céu da boca

estrelas são vitórias da luz cravadas na noite
infinito é um corpo que cresce à procura

sexta-feira, 10 de junho de 2011

"quantos mortos são necessários para se chegar a herói?"

Campos de Carvalho, A vaca de nariz sutil.
"embrenho-me no desconhecido, monto de novo minha infância e nela me monto, vou nu sobre o seu dorso e apenas me lembro das coisas: meu mundo acaba onde eu acabo, se me viro para a direita a esquerda já não existe"

Campos de Carvalho, A vaca de nariz sutil.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

"...nos livros só se aprende o que não se conseguiu aprender na vida..."

Campos de Carvalho, A vaca de nariz sutil.